Fortis, App de Gestão para Personal Trainers
Um produto digital, app + painel web, que organiza alunos, treinos e pagamentos do personal trainer autônomo em um só lugar.
Client
Projeto conceitual
Year
2026
Role
Product Designer (UX/UI)
Duration
Estudo de caso
Contexto
O personal trainer autônomo é, na prática, um pequeno empreendedor, mas opera sem ferramenta nenhuma. Treinos vão no caderno ou num PDF improvisado. A cobrança é no "confia", via Pix. O controle de quem pagou vive na cabeça. A comunicação se perde no WhatsApp. O resultado é previsível: inadimplência, retrabalho e zero visão do próprio negócio.
Esse é um problema que eu conheço de perto. Quando ajudei a reestruturar uma academia de treinamento funcional, implementei um sistema de cobrança recorrente e organizei a gestão de alunos, e vi na prática como a falta de ferramenta adequada custa dinheiro e tempo. O Fortis nasceu desse insight: e se o personal tivesse uma ferramenta pensada para o jeito como ele realmente trabalha?
O desafio
Desenhar um produto que funcionasse em dois contextos de uso muito diferentes, sem perder coesão:
- O personal em campo, durante o treino, celular na mão, precisa de algo rápido, com o mínimo de toques.
- O personal na gestão: sentado, planejando treinos e olhando o financeiro com calma, onde mais informação na tela é bem-vinda.
Esses dois momentos pedem decisões de design opostas (densidade, hierarquia, navegação), e o trabalho era fazê-los conviver sob um mesmo sistema visual.
Pesquisa & definição
Mapeei os principais jobs-to-be-done do personal e organizei por contexto:
- Em campo: ver a agenda do dia, conduzir o treino, registrar carga e séries, marcar presença.
- Na gestão: montar e ajustar treinos, acompanhar evolução do aluno, controlar pagamentos e identificar inadimplentes, analisar a saúde do negócio.
Duas personas guiaram as decisões: o personal (usuário principal, nos dois contextos) e o aluno (usuário secundário do app, que consome o treino e acompanha sua evolução). O foco do case é a experiência do personal.
A decisão central de arquitetura saiu daqui: app mobile para a operação do dia a dia, painel web para a gestão. Cada plataforma assume o que faz melhor.
Design System
A direção visual é energética e esportiva, fundo escuro (#0E0F12) com um acento verde-limão vibrante (#CCFF00), inspirado no universo fitness (Strava, Nike Training). O escuro reduz fadiga visual no uso prolongado e faz o acento saltar para guiar a ação. Tipografia robusta, cantos arredondados generosos e um sistema de cards consistente entre app e web garantem a coesão entre os dois contextos.
O app no campo
A home responde a primeira pergunta do personal ao acordar: como é o meu dia? Logo no topo, três indicadores (treinos do dia, total de alunos, pagamentos pendentes) dão o pulso do negócio. Abaixo, a agenda, com o próximo treino destacado pelo acento e o status "agora".

A tela de treino é onde o design encara o uso real: o personal está conduzindo o exercício e precisa registrar carga sem parar o aluno. A solução foi um registro série a série: cada série vira um toque rápido, com o histórico da carga anterior visível para decisão imediata. Exercícios concluídos, em andamento e pendentes têm estados visuais claros.

O painel web na gestão
O dashboard traduz a operação em decisão. Métricas de negócio no topo (receita, alunos ativos, inadimplência, treinos do dia), seguidas do gráfico de receita e, ao lado, o módulo de pendências com ação de cobrança em um clique. A inadimplência ganha destaque proposital: é a dor que mais consome o personal, então ela não fica escondida num relatório.

A montagem de treino é a tela de maior complexidade de UX do produto. O desafio era deixar a criação de um treino rápida sem sacrificar flexibilidade. A solução: um construtor com a biblioteca de exercícios à direita (busca + adição em um clique) e o treino sendo montado à esquerda, onde cada exercício expõe séries, repetições e carga editáveis inline. O personal monta um treino completo sem nunca sair da tela.

Decisões de design que valem destacar
- Registro série a série no app: porque registrar tudo de uma vez no fim não reflete como o treino acontece; a carga muda a cada série.
- Inadimplência em primeiro plano no dashboard: a métrica que mais dói é a que mais merece visibilidade, com ação de cobrança imediata ao lado.
- Mesmo design system, densidades diferentes: o app respira (poucos elementos, toques grandes, uso em movimento); a web concentra (mais dados por tela, uso sentado). A coesão vem do sistema visual, não de forçar a mesma densidade nos dois.
Aprendizado
Projetar para dois contextos do mesmo usuário foi o coração deste case. Mostrou que consistência não é repetir o mesmo layout em telas diferentes, é manter a mesma linguagem enquanto se adapta a cada momento de uso. E reforçou algo que trago da minha experiência com produto físico: o melhor design nasce de entender o problema real de quem usa, não de empilhar funcionalidades.